Onde há Brasil, Abrasel


Uma das palavras do momento é ‘conectividade’. De pronto, a palavra remete à ideia de ligar uma pessoa a outra, mesmo que entre elas não ocorra uma efetiva ligação. Assim são as centenas – e até milhares – de ‘amigos’ que cada um arregimenta no Facebook. Nenhum de nós tem tantos amigos assim. Eles constituem-se, em sua larga maioria, apenas ‘contatos’.


Os bares e restaurantes são, por sua própria natureza, pontos de contatos. E são também os locais em que se pode conhecer bastante gente e fazer novos amigos, verdadeiros amigos. São polos de irradiação de vida. Agregam pessoas. Tornam o seu entorno mais seguro. Dão colorido e movimento às cidades. A sua inserção no tecido social hoje ocorre, de maneira ainda mais intensa, com o uso corrente das ferramentas de conectividade.

Aí, não estamos nos referindo unicamente ao já mencionado Facebook, mas a todas as possibilidades das redes sociais incorporadas ao universo das pessoas minimamente conectadas, como Twitter, Instagram, Tumblr, Flickr e WhatsApp. Mas, o que os bares e restaurantes precisam, em primeiríssimo lugar, é se conectar ao mundo formal dos negócios. Há no Brasil mais de um milhão de estabelecimentos de alimentação fora do lar, sendo que dois terços deles estão na informalidade.

Aliás, o próprio Brasil tem muitas conexões fundamentais que precisam ser feitas. Têm de se conectar, por exemplo, ao saneamento básico. Metade das casas dos 200 milhões de brasileiros não está sequer conectada à rede de esgoto, ainda que grande parte delas já tenha se conectado à rede social. Pois eis, aí, duas das tantas metas essenciais que o país precisa colocar em sua agenda de transformações: formalizar os negócios, coletar e tratar o esgoto. Quando o país fizer isso, é sinal de que muitas outras coisas começam a entrar nos eixos. É sinal, por exemplo, que está se modernizando, inclusive nas relações de trabalho e no sistema tributário.

São questões que fazem parte das ações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, que se tornou uma das entidades mais influentes do país, com interlocução direta junto ao vasto arco de grandes empresas e, também, junto ao mundo oficial, estendendo-se do município aos três poderes da República. A Abrasel tem 50 núcleos estaduais e regionais, sob a coordenação da direção nacional, nas 27 unidades da Federação. Portanto, mais do que conectada ao Brasil, a Abrasel está visceralmente ligada ao Brasil. A entidade espelha a pirâmide socioeconômica do país. Vai do pequeno barzinho informal da periferia urbana aos mais sofisticados restaurantes do Rio, de Brasília, Belo Horizonte e, enfim, das grandes metrópoles.

A Abrasel é inclusiva. Por isso mesmo, a sua plataforma é a do desenvolvimento sustentável. Reflete as vozes das ruas, dos becos e das vilas, por onde se espalham um milhão de estabelecimentos, como lanchonetes, cafés, bistrôs, bares e restaurantes dos mais variados formatos. Em termos tecnológicos, a Abrasel é indutora da informatização dos pequenos negócios, no básico do dia a dia, compreendendo controle de vendas e de custos, emissão de notas e fluxo de caixa. Estimula soluções ‘high tech’, como os terminais de autoatendimento, utilizáveis nas redes de refeições rápidas (fast food). E procura fomentar o revigoramento dos bares e restaurantes que têm o perfil clássico de locais do encontro e do congraçamento. Apresenta-lhes, em fóruns e workshops, as inovações relacionadas às mais avançadas tecnologias de higienização do ambiente e dos alimentos, às conexões on-line entre o garçom e a cozinha, os avanços da gestão financeira e do marketing digital.

A conexão faz parte da razão de ser dos bares e restaurantes. Eles existem por isso e para isso. É neles que o Brasil sempre se encontrou, se encontra e – redobradamente – se encontrará. A realidade nacional está nas ruas. É onde nós estamos.

Onde há Brasil, Abrasel.


*Artigo originalmente publicado no site Destrinchando