04/09/2017 - Aplicativo de Brasília paga usuários para conhecer restaurantes da cidade


Dinheiro é depositado em conta corrente; valor varia de R$ 1 a R$ 10. Empresários podem medir alcance da propaganda 'boca-a-boca'; app já tem 40 locais cadastrados

Um aplicativo para smartphones recém-criado paga os usuários em conta corrente para conhecer restaurantes do Distrito Federal. A plataforma, lançada há três meses, é usada pelos estabelecimentos como instrumento de publicidade, baseado no tradicional “boca a boca”. Para os clientes, a vantagem está no bolso. Idealizador do app, o publicitário Wellington Braga explicou ao G1 que o Magpi torna possível medir as recomendações dos clientes que, até então, eram estimadas com base em “achismos”.


“Você perguntava pros empresários sobre a divulgação do negócio e a resposta era sempre que o que estava dando certo era o 'boca a boca'. Então, decidimos fazer isso acontecer.” Em todo o DF, do Plano Piloto ao Gama, há cerca de 40 estabelecimentos cadastrados. A lista inclui lanchonetes, cafés, restaurantes de alta gastronomia, hamburguerias e até um botequim. “Pro restaurante é perfeito”, disse Braga. Com o app, os estabelecimentos conseguem monitorar o quanto estão pagando para convencer os usuários e quantas indicações o investimento rende. “Às vezes captam 50 pessoas tendo gastado só R$ 5. E tem usuário que ganhou R$ 300 em um mês.”


O sistema funciona assim: o estabelecimento deposita a quantia que quiser na conta do Magpi e o aplicativo fica responsável por autorizar o depósito bancário na conta do usuário. Os restaurantes podem acrescentar quantias e alterar o valor pago aos clientes, sempre que quiserem. Quando chega no restaurante, o usuário precisa validar a visita. Ao pagar a conta, recebe a nota fiscal com um QR code, por meio do qual o app autoriza o depósito. Ou seja, o dinheiro só cai na conta do cliente depois que ele registra a compra. Um café inaugurado há dois meses na 109 Norte está cadastrado no aplicativo desde a abertura e atraiu 114 clientes por meio da plataforma. O dono do Café um Chêro, João Gabriel Amaral, disse ao G1 que investiu R$ 4,5 mil. Por cada visita e recomendação aceita, o usuário recebe R$ 3.


Segundo ele, nas duas últimas semanas houve um aumento expressivo no número de pessoas que visitaram o café por meio do aplicativo. "Quando você faz propaganda nas redes virtuais, não consegue mensurar de verdade." Segundo ele, o café tem recebido cerca de três usuários do Magpi por dia – a média total é de 100 pessoas. "Ainda é pouco, mas pra um app que está começando, nem tanto. Tem dia que recebo três e em outros, dez."

No bolso do usuário

Para o cliente, a maior vantagem é o dinheiro no bolso – que é depositado automaticamente. “Aquela foto que todo mundo posta nas redes sociais quando gosta da comida agora pode ser remunerada”, disse o criador da plataforma, Wellington Braga. Segundo ele, o app também estimula o interesse por conhecer lugares novos, já que o valor depositado na conta – ainda que baixo em alguns casos – pode ser o maior diferencial entre o restaurante cadastrado no Magpi e aquele já conhecido.


Para cada visita, o usuário recebe uma quantia definida pelo próprio estabelecimento – que varia de R$ 1 a R$ 10 entre os cadastrados atualmente. “A pessoa não vai sair com o Magpi só pra ganhar R$ 2. Mas se ela já pensava em sair, por que não escolher um lugar que tem no app?”, disse Braga. A remuneração também ocorre quando o cliente convida amigos por meio do aplicativo e eles vão até o local. “Se eu ganho R$ 4 pela visita e mais R$ 2 por cada indicação e levar três amigos, meu prato sai R$ 10 mais barato.” O publicitário Gillian Caetano, de 27 anos, disse ao G1 que começou a usar o aplicativo há cerca de um mês e acumulou R$ 60. “Sair pra comer é uma das coisa que mais amo fazer. Ganhar nem que seja um pouquinho com isso, no fim do mês dá pra pagar, pelo menos, uma refeição.”

Para ele, além da remuneração, a plataforma também cumpre a função de catálogo gastronômico. “A metade dos restaurantes eu ainda não conhecia e tem alguns dos meus preferidos também.”Com as recomendações de amigos, Caetano diz que a chance de se decepcionar em um restaurante é menor do que quando a escolha é feita com base em blogs de gastronomia, por exemplo.


O aplicativo não permite que os restaurantes divulguem cardápio, promoções ou enviem mensagens aos usuários. A única publicidade é feita pelos próprios consumidores, que podem avaliar bem ou mal a experiência. Para colocar o aplicativo no mercado, o criador Wellington Braga disse que investiu R$ 500 mil e fez parceria com sete bancos com atuação no DF.

Fonte: G1