Série percorre país para apresentar cozinheiros e seus restaurantes.


"Chefs brasileiros", do GNT, estreia no próximo domingo


Onildo Rocha, André Saburó, Felipe Schaedler, Barbara Verzola e Pablo Pavon, Edinho Engel, Jun Sakamoto, Juliano e Fernando Basile são os chefs que contarão suas histórias, o dia a dia de seus restaurantes e como veem o Brasil em “Chefs brasileiros”, nova série do GNT, que estreia no próximo domingo. A direção é de Alberto Renault, o mesmo de “Arte brasileira” e “Casa brasileira”. Alberto já fez teatro, escreveu romances, criou cenários, dirigiu óperas, mas gosta mesmo é de fazer TV:


— Achei meu lugar no mundo. Uso o meu olhar e meu senso estético para revelar, através de imagens, com ritmo e linguagem próprios, o Brasil que vejo funcionando bem.


A centelha para a realização do programa foi despertada não apenas pelo interesse crescente do público em gastronomia, mas porque Alberto e sua fiel companheira de trabalho, a roteirista e produtora Baba Vacaro, perceberam nas gravações dos mais de cem episódios de “Casa brasileira” que a cozinha era o ambiente mais agradável e acolhedor da casa, onde todos mais gostavam de ficar. A conclusão de que os programas de TV abordam mais receitas do que o cotidiano dos cozinheiros foi decisiva para convencer Daniela Mignani, diretora do canal, a dar sinal verde para a produção.

 

A seleção dos primeiros 13 restaurantes e seus chefs perpassa os estados de Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Amazonas, Espírito Santo e Bahia. O depoimento dos chefs sobre suas vidas, seus restaurantes, seus fornecedores e suas rotinas será o fio condutor de cada episódio. A série com narrativa de documentário, no estilo da atração internacional “Chef’s table”, ganha o olhar, o ritmo e, acima de tudo, a espontaneidade de Renault.


As particularidades dos chefs como o gosto de Roberta Sudbrack pela dança, a paixão de Rafa Costa e Silva pelo Flamengo, a pesquisa de Felipe Schaedler sobre os cogumelos brasileiros, o atum de Recife usado pelo André Saburó, o respeito de Onildo Rocha pelos queijos produzidos pela família de Ariano Suassuna e os usos de ingredientes indígenas por Thiago Castanho são algumas das histórias que serão contadas pelos próprios chefs. Não faltarão os traços unânimes entre os cozinheiros, como a paixão em servir e a criação de pratos icônicos como o rubacão paraibano, de Onildo Rocha, que ele diz ser uma evolução do baião de dois, o bacalhau de creme de alho-poró, a pera assada e as amêndoas de Leo Paixão, o polvo com maçã verde, picles, cenoura e tomate doce de Rafa Costa e Silva, e o inhame, quiabo e pimentão laranja de Manu Bufara.


O diretor, que não come carne há mais de dez anos, se diz um “esteta metido a antropólogo, que gosta de descobrir e observar como vivem as pessoas”:


— Não tenho um olhar guloso, sou mais do olhar estético, da beleza do prato. Me satisfaço vendo um prato como se ele fosse um quadro, uma imagem com ritmo.


Para ele, o chef proprietário de restaurante é como um ator que tem seu próprio teatro, e a cada dia tem que encenar uma peça diferente. As ideias surgem todo o tempo, mas é durante as corridas que faz todos os dias às seis da manhã que Alberto organiza e desenvolve sua criatividade. Ele conta que adora o que faz, conhece lugares lindos e pessoas incríveis, e, apesar de não ser workaholic, até quando está de férias pensa em trabalho e burila suas ideias.



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