Aplicativos de entrega de refeições devem chegar a 75% das franquias de alimentação do País

 

Um dos propulsores desse mercado foi a Reforma Trabalhista, que permitiu aos estabelecimentos terceirizarem o serviço de entrega e assim reduzirem esses custos

O antigo disque-pizza, quem diria, deu origem a um novo e promissor negócio da era digital. As foodtechs, empresas que desenvolvem tecnologias para incrementar as vendas de alimentos prontos, são o novo grande filão do mercado de aplicativos para celular. As soluções criadas pelas startups do setor incluem desde o gerenciamento de programas de fidelidade para redes de supermercado até clubes de assinatura de cervejas e vinhos. O maior filão, porém, é representado pelas empresas que intermediam entregas de refeições em domicílio — hoje presentes em 55,4% das franquias de alimentação do País.

O “delivery turbinado”, que tem atraído empresas e investidores estrangeiros, também como chamou a atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão autorizou, em março, a compra do aplicativo PedidosJá pelo Naspers, um dos maiores investidores do líder de mercado iFood. Mesmo com a anuência, o órgão vai acompanhar as novas aquisições do grupo no Brasil, assim como futuros contratos de exclusividade com restaurantes.

Com 6,6 milhões de pedidos mensais, o iFood concentra 60% do setor e quer mais: “Esperamos o mesmo crescimento para os próximos anos, com novas soluções para novos públicos”, diz Alex Anton, diretor de estratégia e novos negócios do iFood. “Um exemplo é a máquina de pagamento que lançaremos em breve”, afirma. Desde 2013, a empresa que nasceu da Disk Cook, realizou dez aquisições no País. Sua expansão vem incomodando alguns restaurantes, que consideram a taxa cobrada pelo serviço exagerada – o que pode ficar ainda pior no caso de uma concentração que beire o monopólio. O Cade só autorizou a mais recente aquisição por entender que a concorrência é favorecida pela chegada ao Brasil de multinacionais como UberEATS e Rappi.

Uma pesquisa realizada pela consultoria ECD Food Service para a Associação Brasileira de Franchising mostra que esse mercado, já bem aquecido, é também promissor: 75% das franquias de alimentação que ainda não usam o serviço pretendem aderir. “A crise fez as pessoas trocarem o restaurante por refeições em casa, assim economizam com estacionamento, serviço e combustível do carro”, diz Enzo Donna, presidente da consultoria. “Essa baixa aumentou a adesão dos estabelecimentos aos aplicativos”, diz ele. Outro propulsor desse mercado foi a Reforma Trabalhista, que permitiu aos estabelecimentos terceirizarem o serviço de entrega e assim reduzirem esses custos. “Antes alguns juízes consideravam a logística parte da atividade-fim das empresas, que tinham receio de terceirizar esse trabalho”, diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.

Fonte: Istoé