Número de cervejarias no Brasil quase dobra em 3 anos e setor volta criar empregos

 

Impulsionado pelo boom de cervejas artesanais, número de fábricas saltou de 356 para 679

Apesar da queda do consumo de cerveja no país nos últimos 3 anos, o número de fabricantes, marcas e rótulos da bebida se multiplicou, o setor voltou a criar vagas e a quantidade de trabalhadores retomou o patamar pré-recessão. Por trás desse aquecimento da atividade, está o fenômeno mundial das cervejas artesanais, que vem conquistando cada vez mais novos empreendedores e consumidores.

Segundo os dados oficiais, o número de cervejarias registradas no Brasil cresceu 91% nos últimos 3 anos, saltando de 356 estabelecimentos em 2014 para 679 em 2017. Somente no ano passado, o país ganhou 186 novas fábricas.

Já o número de cervejas e chopes registrados chegou a 8.903 no ano passado, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o que corresponde a uma média de 13 rótulos para cada marca. Mais de 80% das cervejarias estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, mas já há estabelecimentos espalhados em todos os estados do país, com exceção do Acre e Amazonas.

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Mais cervejeiros

A maioria das cervejarias artesanais costuma ter atuação regional e empregar poucos funcionários. Mas de grão em grão se tem feito muita cerveja e criado oportunidades de trabalho em diferentes pontos do Brasil. Dados da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) mostram que são os pequenos e médios negócios que têm garantido o crescimento do número de trabalhadores no setor.

Desde 2015, as fábricas com mais de 99 funcionários cortaram 1.184 postos de trabalho, enquanto que as empresas com até 99 empregados criaram 1.549 vagas, o que resultou em um acréscimo de 365 trabalhadores formais no setor. "Quem segurou os empregos no setor foi seguramente as pequenas cervejarias", afirma o presidente da Abracerva, Carlo Lapolli. 

Ele destaca, ainda, que os números oficiais de trabalhadores não incluem o universo de profissionais que atuam nas chamadas cervejarias ciganas, que são negócios constituídos formalmente com comercialização de marcas próprias, mas que terceirizam a produção. Puxado pelas contratações das pequenas cervejarias, o número de trabalhadores no setor retomou o patamar de 36 mil empregados no final de 2016, após dois anos de cortes em meio à crise econômica e reestruturações decorrentes de fusões e aquisições no setor. Isso fez com que as contratações voltassem a superar as demissões.

Fonte:
G1