Preço de ingresso em baladas gera debate em Campo Grande (MS)


Comportamento do público campo-grandense abre discussão e para empresários do setor é um balde de água fria na noite


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No último fim de semana, o empresário Deko Giordan, sócio proprietário da balada LGBT Sis Lounge, em Campo Grande (MS), desabafou no Facebook: "Tô cansado de ouvir que: 'As casas noturnas não valorizam os artistas!' Mas os mesmos que reclamam ou saem em defesa, não querem pagar 10 ou 15 reais (preço congelado há 8 anos) para entrar numa casa noturna. Pedem Free! Não valorizam os artistas locais, mas em cidades como São Paulo e Rio, pagam 100 ou até 200 reais pra entrar numa festa. A gente tem que se equilibrar na corda bamba, pra manter a casa e pagar os ótimos artistas que temos na cidade"

A publicação ascendeu uma discussão que até então era restrita aos donos de casas noturnas de Campo Grande e mostrou que a dificuldade é generalizada e o que não falta é cliente folgado, querendo entrar de graça na balada.

Para a dona do Genuíno Arte e Destilaria, Aline Dias, a situação relatada por Deko é a mesma vivida em seu bar, só ainda mais latente. "No começo, a gente trabalhava com couvert democrático, que ia 100% para os músicos. Para ter noção, tinha vezes que eu tinha que pagar um cachê de R$ 600 e eu tinha ali uns cento e poucos reais no caixa. Então, quase que no fim de um ano eu decidi optar pelo couvert obrigatório. Esse fim de semana mesmo, umas meninas foram embora da casa porque teriam que pagar", diz ela.

Aline lembra que no Genuíno, o valor do couvert é exclusivamente para pagar os músicos, para manter shows e músicas de qualidade. "A gente tem o feedback para continuar, por isso não desiste, mas as pessoas também não valorizam, claro que não generalizando, tem muita gente que fortalece sim a cena, a cultura. Muitos músicos também chegam lá e não querem pagar falando que são músicos também", reclama.

Presidente da Abrasel no estado aponta fragilidade na economia

Indo para outro estilo musical, o rock, o Jack Music Hall teve até de reduzir os preços em dias de menor movimento, como a sexta-feira. Antes, o lugar cobrava R$ 20,00, agora são apenas R$ 10 até as 22h e, depois, sobe para R$ 15,00. "Eu acho que é mais profunda a problemática. Acho que a gente tá passando um momento difícil da economia. O nosso setor é muito frágil. A primeira coisa que as pessoas cortam são os supérfluos e o lazer, e dentro do lazer estamos em uma subcategoria que são shows e e bares", diz o dono do espaço, Juliano Wertheimer, que também é presidente da Abrasel no Mato Grosso do Sul. Ele pontua que as casas que tem um nicho definido, como a dele, por exemplo, sofrem ainda mais com essa escolha do público.

Para Juliano, os empresários da noite campo-grandense vendem mais do que cerveja, vendem uma experiência, um momento de diversão. "Você vem no Jack, paga R$ 15,00 para entrar e ter seis horas de diversão. Agora, se você for ao cinema, vai pagar R$ 21,00 em média, vai comprar uma pipoca de mais R$ 30,00 para ter duas horas de diversão. As pessoas têm que entender o valor das coisas".

Sobre a cultura da entrada de graça, ele pontua que amigo é aquele que gosta, que incentiva, que vem e que traz gente nova, não quem pede cortesia. "O motivo da existência de qualquer empresa é ela ser lucrativa, o empresário vive da renda que a empresa dele dá, parece que as pessoas têm aversão a isso. Vem um cliente aqui comprar cerveja, por exemplo, e ele reclama que aqui está R$ 8, sendo que no mercado ele paga R$ 3. Sim, vai estar mais caro. Por trás de uma cervejinha está o freezer ligado o dia todo, o atendente do caixa, do bar, o segurança, a banda e tantas coisas a mais necessárias para fazer acontecer aquele momento".

Fonte:
Campo Grande News