Feriados prolongados impactam os serviços


Articular iniciativas com os blocos de rua durante o Carnaval, por exemplo, são algumas das iniciativas listadas pelo diretor-executivo da Abrasel

Os feriados prolongados em 2018 favorecem as viagens de curta duração, com até quatro dias, a destinos próximos ao local de residência do turista. Serão 16 dias de folgas extras ao longo do ano, além de datas regionais, como aniversários municipais e o dia da Consciência Negra.

Segundo Léo Tristão, country manager do Airbnb Brasil, o número de reservas cresce até três vezes durante os feriados. Em 2017, chegou a 187% em São Paulo, em comparação a 97% no Recife, 67% no Rio de Janeiro e 50% em Salvador. "Foram mais de 100 mil hóspedes", afirma.

A questão é que nem todos os feriados têm o mesmo resultado. No ano passado, segundo levantamento da FX Retail Analytics especial para o Valor, o fluxo de visitantes em shoppings no Brasil durante o final de semana do Carnaval foi 1,65% menor do que a média dos demais fins de semana de fevereiro. Já no fim de semana durante o feriado de 7 de setembro, uma quinta-feira, o fluxo foi 5,79% maior do que a média dos fins de semana do mês. O ano fechou com crescimento de 0,62%.

Negócios especializados registram melhoria nos resultados. Em 2017, a fabricante e distribuidora de produtos de festas Estrela importou meio contêiner de produtos carnavalescos, mas vendeu somente um quarto. Neste ano o proprietário Daniel Zanola espera vender até 15% mais da linha, que representa 10% do faturamento anual que está em torno de R$ 3,6 milhões. Já a Confidence Câmbio registrou 17% mais demanda de turistas estrangeiros por câmbio durante o Carnaval de 2017, com maior procura concentrada em Santa Catarina, Rio e Bahia.

Outros segmentos são mais desafiados. Bares e restaurantes fora dos destinos turísticos precisam caprichar no planejamento. O setor, em que as empresas de pequeno e médio porte representam 95% dos negócios, deve movimentar este ano em torno de R$ 180 bilhões, 4,5% mais que em 2017.

Reduzir a compra de insumos, dar folga para funcionários, criar ações para aumentar o faturamento nos dias que antecedem os feriados e articular iniciativas com os blocos de rua durante o Carnaval, por exemplo, são algumas das iniciativas sugeridas por Gustavo Timo, diretor-executivo da Abrasel. "Tem mais demanda por banheiro do que por cozinha", compara.

Grupos como Maní e Ráscal preparam estratégias para os feriados. Sócia do primeiro, Giovanna Baggio observa que já nos primeiros dias da semana com feriado o movimento cai, mas na folga em si costuma ser maior. Investimentos em redes sociais, pratos específicos e menus fechados buscam atrair clientes e no ano passado o Maní abriu pela primeira vez no Carnaval depois de dez anos, com número de clientes similar ao de fins de semana.

No Ráscal, com 12 restaurantes, os feriados encolhem a frequência em São Paulo, mas ampliam a do Rio de Janeiro. "Nos feriados o número de cientes pode variar de 10% a 40%, para mais ou para menos. Um número alto de feriados no ano geralmente representa queda no movimento total", contabiliza o diretor geral Rodrigo Testa.

Fonte: Valor Econômico